sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O gostar, a liberdade, o gostar de liberdade e a insatisfação constante.

- Pedir licença pro teu namorado porque, com todo respeito, você ta mais bonita que nunca hoje- disse o sujeitinho meia-idade.
- Obrigada- disse ela, afastando-se de toda aquela merda denominada “política de cordialidade”. No fundo, eles só queriam saber o que houve com seu garoto. E, de fato, talvez houvesse hipérbole em toda aquela história.

Não havia um sequer lamento, talvez alguma mágoa. As coisas são assim mesmo e o problema está em todo esse imediatismo. E é uma decisão atrás da outra, e no final é tudo a mesma coisa e cada vez que te dizem que a escolha é tua você fica menos livre; fazem isso pra você poder achar que tem algum tipo de autocontrole, quando na verdade você segue por uma rotina de merda que você tanto abominou há alguns tempos atrás.

Ela entra no ônibus e avista um par de tênis em pés masculinos e, pela primeira vez, lamenta por não morar uns três ou quatro pontos mais longe. Desce do ônibus, anda alguns passos e olha, propositalmente para a janela e segue-o com os olhos gigantes. Ela os vê de vez em quando.

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