sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


A velha, sentada, fumava um cigarro ao lado de fora da Quatorze Bis. Era quase natal, Monalisa pendia da grade junto aos enfeites com sininhos que decoravam o viaduto dos mendigos. Esmolas convertidas em pinga, adornos natalinos e Da Vinci. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Na ausência de abridor, socou a rolha - que sacana. 
Então, repousamos -rolha e eu- sobre o mar vermelho. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tão claro quanto a água não bebida regularmente

Repentinamente, me aconteceu o gosto de mostarda na garganta e parei para ler poemas melhores que os meus. Você sabia que se seu escrito não é reconhecido pela Biblioteca do Rio, ele não é considerado literatura? E mimése, você sabe o que é? Isso você bem sabe.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pra que eu e você, como aditivo
nas atuais circunstâncias?

Uma vez houve zelo. Não hoje, não com esta cadeira
não comigo. Não por minha parte.

A puta, vagabunda, vadia relaxada
simplesmente
ficou apática.

domingo, 30 de outubro de 2011

Vivo formando poemas mentais que esqueço no suspiro seguinte, são as odes desnecessárias. O loop eterno e a incapacidade deram as mãos para a concepção de uma quelóide. Imaginem vocês que nem tudo é efêmero.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Desculpe-me se eu acho que o Nietzsche em sua estante nunca foi aberto e que você procura auxílio do google toda vez em que quer escrever Schopenhauer. Isto não tem diretamente a ver com sua falta de estudos, mas com sua pedância extrema em citar nome ou outro porque seus amigos são burros o suficiente para acreditar em certos tipos de coisa.
Coçar o rosto com um garfo não é decadência, desde que você consiga manter emprego e sanidade. Tem gente que come cabelo, caca de nariz... Uma vez me disseram que um cara comia merda e eu acreditei. Por que não, sabe? As pessoas são ainda mais decadentes do que aparentam ser com seus sapatinhos brancos e dentes alinhados. Quer um exemplo? Experimente ficar cinco dias sem tomar banho. Porra, cada vez acho mais que anjos não devem ter cu.
Acho bonito uma sala de jornalistas que não assistem novela mas que lêem
A Cabana.
Minhas sinceras gorfadas na cara de cada um destes eruditos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Veja só, você

Apesar de um três e meio e de
Dois
Seis. Consigo ver que não há simetria nesta sala e que
Algo, se é que bom,
Se é que existe
é
Em
Plano imaginativo.
E como se tivesse cordas em meus tímpanos, a música é formada
E os dedos dedilham a formatação de frases
Sem  sentido.
Me pego anacrônica. Balbuciei palavras e tive um
Espasmo. Quem me dera vomitar, imagine só, você
Que não vomito mais. 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ela fumava na janela do quarto e olhava de rabo de olho
enquanto olhavam
seu
rabo.
Depois ficavam deitados
apenas conversando
enquanto ele contava coisa ou outra. Ela gostava de escutar.
Mas antes os dentes deveriam ser muito bem escovados
porque
havia nojo de cigarros, da parte dele.

Então
ela parou de fumar, para poder ouvir melhor.
Engrandeceu-se o pequeno homem, contando de sua façanha homérica.
E contará sempre que o vier à
cabeça, porque é isso que os homens orgulhosos fazem e é isso que as garotas que
amam
fazem.

domingo, 28 de agosto de 2011

É mais de meia noite e dormimos o bastante e 
brigamos o bastante mas
parecemos não nos importar 
porque 
é o que acontece nas nossas discussões propícias ao fim. 

Como se isso fosse
inadiável. 

Gostaria de dizer que não estabelecemos um prazo de perecibilidade
e que
não sei, talvez eu não devesse ter falado coisa ou outra
mas falei. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O ar da cidade louca, a gente louca da cidade louca a rotina casa/trabalho/estudo têm uma parcela de culpa em todos os devaneios de uma garota moderna que não rói as unhas e não tem sido sapatão ultimamente, mas queixa-se da sobra de esmaltes. Ela é confusa: Hora usa moletom e sapatilha, hora critica donzelas mal vestidas. A garota moderna também é piegas, apesar de tudo; não limpa a casa, mas faz a janta. Diz-se inteligente e é inteligente, mesmo não entendendo contas de matemática. Ela é morena, loira, ruiva e travesti. Mas o maior segredo de todos é que a garota moderna é, na verdade, démodé.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Este instante me imaginei sendo vespa e mal sei o porquê. Queria ser uma vespa. E tudo e nada. E amarelo e azul. E gafanhotos. E a escala assimétrica. E a música assimétrica. Queria ser foto de granulação -queria conter prata. Queria ser eu e você ao mesmo tempo. Queria ser Lolita e H.H. Queria um barco, mas amo asfalto. Queria branco, mas é amarelo. Eu sou um pranto, eu sou um prato.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma e vinte e sete, para mim, são quase duas. Até tomar banho e limpar dois alfinetes são duas horas e eu não quero dormir porque este é o momento mágico em que olho para ele e nossos teclados de computador complementam um ao outro e isto soa como amor. Esta é a hora em que o olho, de frente para a televisão, e ele está falando mal do Caetano e, puta merda, como consegue ficar lindo usando moletom verde e chinelo laranja! O final da noite é o começo do encanto. Nenhum ruído, além dos teclados de computador e a televisão. Isto é o suficiente por hoje e agora são uma e trinta e sete.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quando eu tinha quinze, bebia numa kitinet enquanto um gordo dormia no sofá cama. Então eu andava duas quadras até minha casa e via o teto do quarto rodar, a constelação particular. A consternação particular.
A praia
as pedras
a consolação.
A Rua da Consolação.  O amor.


Ao amor. À letra F.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Antes de me xerocarem a caligrafia dura
antes de São Paulo
antes do amor ser louco e a gritaria, breve
-antes até que a descoloração-
haviam dois companheiros de coisa alguma. Ele reclamava do emprego enquanto
eu reclamava de coisas triviais. Eu tinha treze ou catorze e nós éramos amigos.

Fulaninha
Fulaninha
Fulaninha
Meninina.

Boa sorte.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Boa noite. Você já sentiu aquele embrulho no estômago de quando se dá conta que é um merda? Que bom que sim e que não, que bom. Laconismos involuntários são tão tristes quanto decepções e tão frios quanto meu apartamento no sexto andar.Lacônica até no texto que quero vomitar. Lacônica de gesto e de força e toda minguada.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A poeticidade está incrustada na estupidez do ser.

É nauseante toda esta polivalência que acreditam dar em algum lugar. A poeticidade está incrustada na estupidez do ser. Eu coloco ponto em título. Não consigo mais conectar frases. O mojo está perdido, Austin. A sociologia me deprime.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Lasanha de microondas.

Sentei ao lado de minha lasanha de microondas na esperança de um degelo.
Dormi ao lado de minha lasanha de microondas na esperança de um degelo.
Beijei minha lasanha de microondas na boca e ela apenas
respondeu.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os sorrisos vão, preventivamente, reprimindo-se. Quero ver suas veias.
Você escolheu ser
atemporal
e agora não dorme.
Você
precisa
de
lítio. Eu te amo até você me amar e não me amar
-e quebrar copos, pratos-
e
me
amar.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Manda um Ready-Made, amor.

Coloque em itálico. Agora, uma letra GRANDE e outra bem pequena.
Faça 
um 
verso
livre. 
Você é o grande poeta do século.

Manda um Ready-Made, amor.


sábado, 7 de maio de 2011

Anotou a placa do carro prateado, que teimava em ficar estático
enquanto o motorista ameaçava uma mulher de seus trinta e poucos anos
depois que ela falou algo sobre revisão.
Pôs no peito o dinheiro do telefone e do gás e
esperou alguma salvação divina quanto ao carro, as contas, a infecção urinária
e ao
transtorno bipolar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Às quatro eu tenho um compromisso com a verdade.
Às sete, com os leões.
Homem cordial homem cordial
homem
visceral. Proto-gente.

Descompromisso-me, excuse.
Acho que tá ruim.
Que tá chato
tá chato
tá bagunçado.
Eu perdi meu baricentro.

Miojo no chão

Auf der Maur

Pantufas de pinguim

Cordão Umbilical.

sábado, 23 de abril de 2011

Após a falta de lítio, o gato é o rei da casa.
Preto, branco e peludo, deitado sobre as calças da loucura
e
ronronando as coisas mais lúcidas do dia
-do mês
e do
ano.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Aqueles todos bebiam de manhã, fingindo não se preocupar com o que houvesse. Bebiam para esquecer ou premeditar. Goladas de pinga com molho de pimenta, goladas de desespero, goladas de porra de meninos para meninos.
Em dois mil e onze isto é tão demodê quanto meu cabelinho de Iron Maiden de dois mil e sete.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dois mil e dez

Caminhou pela praia com seus chinelos baratos e maiores que os pés. Meninos gordos,
meninos magros, meninos que
parecem meninas
jogando bola. Loiras bonitas. Cachorros sarnentos.
Casais, Vendedores. Mendigos. Desiludidos.

Molhou os pés e sentiu felicidade e coliformes fecais.





Mas isso foi em dois mil e dez.

18:35

Ele reclama do esmalte excessivo, das brincadeiras, do aperto de barriga, dos rapazes, do aluguel, do porteiro, dos porteiros, das portas, portões, portinholas, portais e
do porto.

Quando eu tiver trinta, você vai ter quarenta e sete
e vai ser ainda mais irritante
e, talvez, reclame
do barulho, da chuva, do barulho da chuva, dos carros, dos sapatões, dos sapatos, do sapateiro, sapatilhas, sapatarias e do
sapateado.

E quando eu tiver sessenta, você vai ter setenta e sete
e, enquanto estiver reclamando
sobre o mundo, os mudos, os falantes, as caixas, cabeças, das cabras, cobras, dos cabras, cabaços, carrascos, carrancas, casacos, cachorros
catedrais e conchas
serei extremamente feliz
como sempre fui contigo, meu amor.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sugiro que você faça uso de um ofurô de água sanitária e
que
depois
vista-se melhor e que
depois
frequente lugares melhores e
que
depois
aprenda que todos te acham um lixo e
morra.

domingo, 3 de abril de 2011

Tonsilas palatinas vulcanídeas e street-bossa solidão.

Dois cotonetes ao dia e minhas amígdalas parecem dois tubos de pomada. Vou ao mercado, estudo, limpo a casa, escuto os berros dele e, ainda sim. Duas espinhas gigantes, um par de tumores podres. É imutável a rotina e cria-se mais e mais, até quando penso que que está acabado e, então, paro. Perdí para minha garganta. Street-bossa solidão. Encontro mais defeitos que antigamente, com um oitavo do espelho habitual.

sábado, 2 de abril de 2011


Observo o enquadramento desregular do buraco na cortina, talvez a casa precise de coisas novas.
Mas, do que eu 
realmente
preciso
encontra-se dormindo
de barriga pra baixo
com três cobertores.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Isto é para o orgulho e sua releitura, o perdão.
Aos mendigos; penas de pássaro
e é
para
alguém de quem sempre rí e
sempre
rirei.









Abraçaram-se infinito.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Morrerei em cinco estrofes

monósticas

e então

tudo ficará

taxidermizado.

terça-feira, 29 de março de 2011

Na casa nova
as coisas andam agitadas
duras
preocupantes e
cansativas.  O chuveiro queimou esses dias
e o ralo entupiu, mas
ele os arrumou
metodicamente, como faz em todas as coisas
e
xingou algo, como faz em todas as vezes.
Observo, do sofá, seus xingos e arranjos
enquanto aguardo, de canto, um
'eu te amo', como faço em todas as tardes.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

'(...) 
Abriu a porta e fez  questão em não me cumprimentar quando eu disse oi. Repeti. Nada. Falou com mamãe. A moto nova dele era realmente bonita. Quando eu tinha dez ou onze, costumávamos passar pela loja e ele me dizia, apontando para fora do carro: “Vou comprar aquela moto.” Parabéns, papai. Você a comprou.
Entrei na sala, sentei-me e ele reapareceu:
-Oi, Pai.
-Oi. – E foi assim, mais seco que este tempo e mais azedo que comida deixada para fora da geladeira no alto verão.'
Fevereiro de dois mil e onze, voltei  a usar brincos.
Chove tanto este mês que
talvez
os ratos da cidade tenham morrido  -os ratos mancos, pelo menos.  
Ouvi dizer que algumas pessoas também morreram
e que o resto morre aos poucos
e mais
e
mais.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A aranha passeou pelas teclas do computador, caminhou pelo piso, encostou em minha mão e escalou a porta. Deixei-a ir. Muitas coisas estão morrendo por esses tempos.

Only one thing is needed

Moderninha

Eu sei o porque e não preciso contar. Eles pensam que são diferentes, que mudam o mundo
e
que
são todos o Bukowski.

Mas
isso
é
demodê.


Seus merdas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Falemos de outras coisas...



O músico e marido (hahahaha) Astronauta Pinguim começou, em seu blog, uma série de reportagens sobre seus instrumentos vintage.  A bateria eletrônica Roland CompuRhythm CR-78 foi escolhida desta vez!


Clica aqui:


:)



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eu me reservo no direito de ficar calada
até que passe ou
que
meus pulmões estourem.
Eu não vou ficar calada.
Meus poemas são iguais e diferentes.
Meus pulmões são iguais e diferentes.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Algumas pessoas gostam do que escrevo, mesmo eu não tendo o que dizer. Algumas pessoas gostam da

punheta literária. Alguns acham que são muito mais do que aquilo que realmente são, alguns acham que  

são muito menos -ou um pouco menos. Temos pessoas trabalhando, pessoas fodendo, pessoas escondendo frustração com pseudo-cultura, pessoas tendo filhos, pessoas alagadas e são todas pessoas.
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