quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ninguém ama completamente o que vê
ninguém.
mas, talvez
isso não queira significar
que
ninguém ama. eu amo, um
técnico de futebol ama, um aleijado ama e
talvez
até os pombos amem.

o Yeti ama quem não o ama porque precisa do amor para escrever com mais quebras de linha. ele
levou uma criança para sua caverna de Yeti e esperou que ela dançasse o tempo inteiro
mas
ela era só uma criança
CHORONA
e
não
uma forma de entretenimento Yeti, então deixou-a ir.


ninguém ama completamente o que vê
ninguém.
mas, talvez
isso não queira significar 
que
ninguém ama. eu amo, um 
técnico de futebol ama, um aleijado ama e
até um Yeti ama. 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O preço das coisas.

Ela queria esconder pobreza com superficialismo e acabou inventando vários parâmetros 
para o significado da palavra deprimente.
Fotos de cu, de boceta, de braços, de barriga, de peito e de um rosto assimétrico.
Fotos. Ela criou janelas no casulo.
Segurava, firmemente, seu estrume como troféu enquanto conversava obcenidades com os rapazes. Era tão divertido mostras as
fotos de cu, de boceta, de braços, de barriga, de peito e de um rosto assimétrico
-fotos-
e pedir coisas. 
Ela transformou o cristal em um pedaço de merda sorridente e isso exigiu demasiado talento.
Lobotomia na quinta classe. Cafonagem no último andar, com elevador.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Quando ela abriu os olhos, percebeu o quão estúpido e insuficiente era sonhar.
Um pensamento feliz para ele, o único.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Regurgitadas na capital

Escatologia, para mim, tem outro significado. Fiz um texto, forçada, hoje, sobre isso.

Mas antes
corri até o terminal e
corri até outra rua, cheia de ônibus e haviam várias pessoas
que quando estão dentro dos ônibus parecem vermes em espécies de espasmos, todas espremidas.

E há empatia
não, não há empatia
há empatia

não
empatia.

O cobrador te trata com desdém e esta é a vingança social. O ponto final parece uma descarga e eu sou uma merda e todos ali também são.

Arrasto-me como um verme e dobro a esquina:
Rua Scipião, número sessenta e sete. Prédio Azul. Um guri sentado do outro lado da rua e uma chinesinha correndo porque pensou que estava atrasada, uns funcionários simpáticos com copinhos de café na porta.
Tomo minha água e subo. Segundo andar, sala zero zero sessenta e dois. Várias pessoas com óculos grandalhões e eles são a vanguarda; PUTA-MERDA-CARALHO-PORRA, eles são a vanguarda e talvez meus colegas de classe. Depois disso me voltaram as bisnaguinhas com bacon.

"Disserte
sobre
jovens
sendo
aquilo
que
não
são
e
a
tecnologia."

Era tipo isso e eu poderia olhar para todos aqueles modernos e eles não valiam um peido, mas eu escrevi e descobri escatologia.


Comi um hamburguer e voltei pra casa.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Porque o convênio não cobre gente vagal com mais de dezoito que não faz faculdade.

Cheguei vomitada no hospital e
sentei num banco torto por mais de três horas
até me chamarem para outra sala.
Esperei mais um tempo nessa,
que possuía uns bancos mais certos
e
umas pessoas menos grotescas
-de toda forma, sempre estavam olhando.

Quando o médico chamou, me receitou Dipirona,
um descongestionante pro nariz,
soro na veia, um
antibiótico e
Bezetacil.

Tinha fila pro soro e pra Bezetacil.
Tinha fila
pra fila do soro e da Bezetacil e
no mesmo corredor
podia-se ver mendigos com o nariz estourado,
gritando, e
enfermeiras
RINDO
e cantarolando
e
depois eu não percebi mais nada porque
me deu vontade de vomitar novamente e eu
quase
desmaiei, então fiquei sentada no chão
até minha hora chegar.

Gritaram "próximo"
e essa era eu e daí o pai me levantou
e
sentei na cadeira do soro.
Haviam muitas pessoas ali e as enfermeiras
não usavam luvas e lavavam seus relógios nas pias e
os pacientes eram sujos.
Pareciam bem alegres.

Saímos de lá antes de uma Hepatite ou coisa do tipo.






Ontem fui no particular, me atenderam em vinte minutos -mas continuo fodida de cama.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pra te dizer o que significa.

Te amo são umas ou outras canções
filmes água-com-açúcar
alguns tragos e umas loucurinhas.

Quando tem alguém segurando tua cabeça pra não olhar pro lado
é "eu te amo"
e
"te quero pra vida inteira".

Te amo é quando a gente deita no colchão de ar e não dorme.

Está embutido nas frases mal formuladas e no chá de melissa
-que tomo com a cabeça estourando e você doido para dormir.


Eu te amo é quanto digo: -ou não-
eu te amo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Me dá um beijo e sobe pro palco.
"Psiu, psiu, psiu!" Estou aqui e amo você.

sábado, 23 de outubro de 2010

Rotina

Ela compra vinte esmaltes na semana para não gastar em cigarros, porque ele não gosta. Ele acha que ela não deveria gastar tanto em esmaltes, também. Todos os dias, ele, metodicamente, prepara o almoço para quando ela chegar faminta do cursinho. Eles comem, ela reclama que está gorda, repete e então dormem. Ela nunca cozinha pra ele, exceto no dia de seu aniversário de trinta e cinco anos -ela diz que ele tá muito velho- e uma vez que teve vontade de preparar macarrão ou coisa do tipo. De vez em quando, ela também fica no apartamento pela manhã. De vez em sempre. E, quando ela diz que vai embora, sabe que ele vai pedir um abraço e que vão ficar naquela cama por mais duas horas e depois do banho talvez essa cena se repita. Mas ela não liga, ela gosta da rotina, ela gosta dele... Ela o ama tanto que, se ele pedisse realmente, compraria menos esmaltes na semana. Ela acha que poderia girar a Terra mais lentamente para seus dias serem mais longos. Se ele pedisse, ela giraria o Sol, mesmo tendo medo de queimar seus dedos. Ela é tão pequena e se sente tão, tão grande com ele! Ele é tão pequeno, ele é tão pequeno e tão lindo e tão homem pra ela. Ela faz charme pra ele dizendo que tem medo de perdê-lo e que não quer que ele saiba, mas é a forma de ela dizer o quanto se importa -ao mesmo tempo, também tem medo de perdê-lo. Ela quer que ele saiba todos os dias.
Mas, às vezes, eles brigam e ela se mostra e menina de dezessete que é. Ele parece um pai e cobra conduta e submissão e ela diz todas as palavras feias que aprendeu na escola. Ela gosta de dizer que vai embora para que ele se importe com isso. Ela gosta de saber que ele a ama mesmo quando se odeiam. Ele a ama, supõe. Ela adora ter dezessete. Ela ama aquele homem birrento e o arrasta até o colchão e o ama enquanto o odeia e ele reclama dos braços roxos. Aí está tudo bem porque ela o ama. "Eu te amo", ele diz. Ela suspira.
Quando ele vai pra outro estado, trabalhar, ela morre de saudade e não sabe o que fazer e tenta imaginar o que ele está fazendo no momento porque mulheres são mulheres. Ela está morrendo de saudade da rotina.

Volta logo, meu bem. :}

domingo, 26 de setembro de 2010

Então, ela encosta a cabeça no peito dele. "Eu te amo", ele diz. Ela deveria fugir e esconder-se em meio aos seus remorsos e indignações? Talvez devesse ficar. Talvez deveria lhe escrever textos. Talvez deveria dizer à ele que ela era sua nova canção e que deveríam morrer juntos e todas as coisas mais piegas do mundo.
Mas talvez, ela deveria rir e lhe preparar uma xícara de café, mas era solúvel -de vez em quando, sentimentos também são solúveis. Talvez ela devesse nunca mais vê-lo, porque assim as coisas seriam bonitas, românticas e inacabadas e ela era habituada com esse tipo de coisa idiota porque era mais fácil. Talvez também pudesse desacreditar, já que ele é trinta e quatro e ela, dezessete.
Ela ficou. "Eu te amo", ela diz todos os dias.





E ela realmente o ama.

sábado, 11 de setembro de 2010

Miss P.

Dizem por aí que ela não tem coração.
Pela manhã, cruza os saltos e vai embora -ah,
se ficasse eles iriam, da mesma forma. Ela gosta de jogos e martírios e gostamos de rir dos fatos. Eu só observo,
eu
dou conselhos furados.
Eu a amo, não poderia ser diferente.
Queria que ela soubesse que sempre será
assim.

O coração dela é o maior de todos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O gato, todo preguiçoso, estirado no sofá-cama. Me vê e salta pra perto de mim. Não sei se quer carinho ou sair do quarto, dou carinho.

E você, quer carinho ou sair do quarto?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quarta

Ele, deitado no colchão com ar de angorá preguiçoso.
Ela
fumando seu cigarrinho na janela do prédio e observando um pedreiro tirar sujeira do umbigo.
Chama o animalzinho sem cabelo para apreciar a cena.
Quando ele finalmente consegue se libertar da preguiça vem,
vagarosamente,
para perto dela.
"Poxa, ele foi embora." Ficam ali,
falando sobre tudo e nada e
ela conta um tanto de carros que passam pela avenida.
A menina é louca e ele nem liga.
Ele odeia cigarros,
ela nem liga.
E é aí que eles já se amam.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Há pouco mais de um oz de você em minha bebida.
É você nas entrelinhas e
nas paredes amareladas da sala de espera.
É você há mais ou menos um mês
e
não há mais ninguém.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cores primárias mais uma, mais um -mas, um- e a florzinha de Recife.

A florzinha de Recife disse que tenho o pulmão marrom com bolinhas azuis e esses dias cuspi amarelo e depois um pouco de vermelho. Meu coração não era, este sinto pulsar -muito, até, ultimamente.

... mas isso é assunto meu.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Três vitrôs,
cinco caixas de som,
quatro lâmpadas
e
minha cabeça em outro lugar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O último da carteira

De salto alto, andando por paralelepípedos.
Acende um cigarro de aroma
-um pensamento feliz pra eles, por aqueles momentos.
De repente, a rua era toda nostalgia de um tempo em que se podia ser errado.
Todos aqueles foram embora, um por um,
como se
restasse apenas um grão de areia;
um único, solitário
e que sozinho era descaracterizado.

A última tragada foi pra ela e para o que ela nunca mais seria.
Jogou a bituca no chão e nunca mais sentiu saudades.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

amazing boy e sua orquestra de corações partidos.

O ridículo de nós dois é não nos aguentarmos e
mesmo assim
existirmos um para o outro.

todo esse teu clichê é tão nauseante que agradeço às singularidades carnais.

amazing boy, você consegue reger muito bem sua orquestra.
não me orgulho por ter a minha.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Alex dirige um carro antigo que vive quebrando.Ele me disse que tem vergonha de conversar com garotas. Ele tentou um novo corte de cabelo, igual ao do jogador de futebol -geralmente, eles têm gostos duvidosos.
Não nos falamos há meses. Alex sumiu, ele e seu carro quebrado. Talvez fôssemos um par em algum devaneio que só nós dois bem entendíamos.
Eve beijou-me sob o céu estrelado de outubro,
era quase julho e voltei a pensar nisso.
Esses dias fiz coisas que pensei que nunca poderia fazer:
eu joguei suas promessas numa daquelas sacolas de loja
e isso foi como sentir o chão novamente
sem pisar em pregos nem cacos de vidro.

Minha imagem não é mais turva
mas nunca vou saber como está o outro lado do espelho.
Não vou fazer suposições
já as fiz aos montes.



Eaí, foi bom pra você?

domingo, 25 de julho de 2010

Mais estourados que o meu pulmão e o seu
juntos.

Se fosse entendida de corpo humano
talvez eu pudesse fazer mais comparações
para isso soar erudito
mas só entendo do corpo desumano
-que
por acaso
era tão meu quanto(do) eu era de mim.

sábado, 24 de julho de 2010

Vou te dizer dos meus medos:

Tenho medo de chuva fina no cabelo, de estragar o salto e de rímel à prova d'água -pra constar em minha bula de proto-mulher.
Tenho medo da redação do vestibular -porque foi o que me reprovou.
Tenho medo dos extremamente inteligentes, dos pacifistas assumidos e de funcionários de fast-food. Tenho medo de bode, galinha, touro e tenho medo de jacaré. Tenho medo de escorregar na calçada. Tenho medo de não ganhar dinheiro ou prestígio suficientes para meu ego, também temo que meu ego seja absurdamente grande -ou absurdamente pequeno. Tenho medo de janela aberta de noite, sempre acho que alguém balança a porra do varal. Tenho medo de não amar novamente, ou de amar demais. Tenho medo de teleférico de cadeirinha. Tenho medo de morrer. Tenho medo de parto normal e também de que me cortem a barriga. Já tive medo de furadeira, hoje não tenho mais.

Ter medo é a constatação da vida.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

RE:

Isso é para você, queria que não fosse.
Isso é um adeus de amor e ódio. Isso não é
uma epopéia. Isso são cuspes e empurrões exteriorizados. Essa é
a resposta da carta não lida. Esses são meus roxos - tomara que te machuquem mais que qualquer tapa; soco.
Esse é o grito de zeus que venceu o titã.


Isso, esse monstro, é todo seu -é todo você.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não sei a origem da palavra confusão, mas a origem da minha confusão não me ajuda a formular frases.

domingo, 4 de julho de 2010

Se diz "erudição", meu bem?


Dói o coração, os ossos, dói a pele, tudo.
A indiferença dói e não há nada de fonético ou estético nisso.




Assim como não há nada de proposital ou carnal em coisas relacionadas à amizade incondicional, mon cheur.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Minha rima fofinha

sou um
caminhoneiro
que come frango
e tem pelo no peito.

Extremamente Perecível.

Rompimentos abruptos e cabelos brancos
e azuis e roxos e vermelhos
e castanhos.

Não há beleza.
Existem muitas pessoas por aí
cruzando calçadas e em bares e
cursos e bancos de praça
alimentando os pombos,
mas
você vai enjoar de todas elas porque é isso
que acontece quando enjoa de sí mesmo.



I'm the hero of the story, don't need to be saved.

domingo, 27 de junho de 2010

O bater de panelas me lembrou
violência,
porque isso é tudo o que você exala.
Aquela guria incrível e eu,
toda tragicômica,
do seu lado.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Veio a confiança e o gostar,
vieram euforias e sensações.
Doce; amargo; experiências.
Tive a sensação de que não cabia em mim,
quis abraçar a todos.

Não era álcool ou qualquer outro caralho.

Então, pensei que fosse a tal felicidade;
mas não passava de você.

Virei para o lado e esperei por algo mais empolgante.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nós três.

Uma estrela torta esconde-se dentro das minhas calças apertadas.
Uma estrela torta esconde-se dentro das calças de duas pessoas que eu nunca mais ví. A minha é a mais torta de todas.
Ele beijou todos os garotos que pôde -em escadas de prédio; abaixo do céu nublado; em cantos escuros.
Ela sofreu e bebeu e sofreu por beber quando ele foi embora.
Eu assistia desamores e não entendia complicações.
Pobre de mim, a minha é a mais torta de todas. Espero que estejam bem.

sábado, 19 de junho de 2010

Afastou-se, até que caiu.
O poço era muito fundo.'Não pode morrer quem não tem vida', pensou. Então, ia afundando mais e mais. A água tinha gosto de álcool e remédios - espere, era mesmo água? Aquilo tudo ia anestesiando e ela pensava então que era bom estar se afogando.
As paredes eram cobertas por poemas de amor escritos com limo. Tudo ficou frio. Havia música e gosto de saliva com sangue. Depois, veio o silêncio e ela chegou a pensar que perdera a audição.
Chegando ao fundo, avistou-o. Subiu à superfície.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Laconicidade. Violência,
Álcool, raiva, animalização.



Ódio, rancor, medo, amor.
Vergonha.



Vergonha, remorso.



Indiferença.

sábado, 12 de junho de 2010

Eles vão pegar pauzinhos para cutucar seu buraco de bala.
Vão cortar teus sonhos, porque são desimportantes;
porque é o que eles fazem.
Você não tem lepra, sífilis, câncer ou qualquer outra merda.
Você não é digno de compaixão.



Sem emprego. Sem apoio. Sem vontade.
Sem
amor.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Não era algo muito novo.
Garoto púbere e garota púbere.
Ela disse coisas ruins, ele
era só um garoto que chorava por tudo.
'Hey, quer mais uma?'
'Não.'
Dormiram. Era dia dos namorados.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fecha a cortina porque a irrita o sol batendo na orelha.
Continua aqui, tentando escrever algo que nem mesmo sabe.
Continua aqui, tentando ser algo que nem mesmo escreveu.
Kay e a maldição dos monólogos. Kay e seus interesses ocultos.

Talvez ela queira ficar parada e ser atingida por algo.
- Hum, nada mal, se é o que você quer.Te darei um espelho para ser quebrado.
Kay Mavrides não quer mais quebrar espelhos.
- Kay Mavrides, não seja o espelho.

Por favor, a pedra mais encantadora que você puder arrumar. Quantas cortinas mais ela vai poder fechar?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Diagnóstico

Um dia, ouvi falar que as pessoas
preferem
escritos tristes porque
eles passam mais emoção
ou qualquer caralho que seja.

Talvez não gostem desse.
Tomara que não gostem dos próximos.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Perdão se minhas perguntas soam indelicadas.
Last year foi tão last week
e,
bem,
ainda quero fazer moda.

Eu não sei medir,
nem calcular uma palavrinha ou outra.
Eu posso te dizer todos os palavrões que conheço,
mas eu não posso ficar aqui ouvindo
aquela música brega que você costumava cantar
- e que eu costumava
fingir
que me agradava.
Você me ama em re sustenido,
você pensa do seu jeito orgulhoso.
Uh, porra, que caralho estou dizendo agora?
Os Strokes têm uma música chamada: "Meet Me In The Bathroom" e,
sabe,
tenho encontrado várias pessoas em banheiros ultimamente
-e em carros
e nas ruas.
Elas têm o coração vazio,
mas tudo bem porque
o meu é mais.

Prometa que irá se importar e
morrer por dentro quando eu me for.
Prometa que nós morreremos,
prometa que ficará tudo bem.
Prometa, como você teria prometido.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Eu queria
que
a muralha tivesse me cercado por completo
e que
dentro do meu refúgio fosse tão,
tão frio que meus sentimentos pudessem
morrer de hipotermia.
Eu queria que você não fosse abraçável,
eu odeio tuas ausências.


começo; meio; fim.
começo; meiofim.
começo; começo...
fim.
Eu tenho medo de relacionamentos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

epifania

só por hoje, faz de conta que morri.
imagino todos chorando: pais, amigos e affairs. imagino desconhecidos também, vindo das salas ao lado e perguntando sobre meu trágico desfecho. nesses horas até que seria bacana levantar um braço e fazer todo mundo se cagar.
talvez alguém até me amasse nessa hora, pelo menos até o cimento cobrir a fresta e todos irem para seus carros em direção ao conforto de suas casas. no final, o amor é só mais uma obrigação e a lembraça, circunstancial.

sábado, 8 de maio de 2010

quatro olhos,
duas bocas,
quarenta dedos e
um par de peitos.

quatro olhos,
duas bocas,
quarenta dedos e
dois pares de peitos.

dois olhos,
uma boca,
vinte dedos e
um, ou nenhum, par de peitos.

melancolia, álcool, boletas e escritos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

vai ver que ela esteve por aí esse tempo todo,
que andou cultivando plantas carnívoras.
vai ver que os sentimentos estão embutidos, ou que ela é apenas
apática.
vai ver que são precisos cinco sóis para alegrarem-na.
vai ver que foi muito amor pra pouco peito, que foi muita lágrima pra pouco lenço.



vai ver que ela apenas não existe mais.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ela é toda tornozelos e coxas
e nariz e boca e cabelos
e carência e algum resquício de remorso.

ela atravessou a lâmina cega.
ela sonha com
terras tão distantes que
seus pensamentos ruins não poderiam acompanhá-la.

ela é alice, miss lexotan, jeannie nitro e dona morte. ela é clementine.
ela é
uma pobre fodida.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Aparece em casa, lá pela manhã...
Shorts, blusa minha e os tais tênis de molas.
Mostra a moto amarela -que combina com o cabelo-
e me chama pra uma voltinha.
A ausência de capacetes nos lembra nossos onze anos e
isso nos faz rir como nos tais onze anos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Havia uns tantões de Haldol naquele sorriso;
haviam pássaros azuis com bons recortes em suas camisetas
voando pelo hall.
Entorpecida de nada, simplesmente neutra.

... uma segunda-feira nunca pareceu tão agradável.

terça-feira, 30 de março de 2010

Ainda somos fúteis,
narcisistas e
vamos ao salão de beleza.

Insistimos em cinismo
e
falso descaso.

A única diferença
é que agora
choramos
em cantos separados.



...também fodemos com outras pessoas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A Dor Que Dói Mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.


Martha Medeiros.
Hoje é dia de amar quem não se deve amar,
Confiar no duvidoso,
Partir o coração de terceiros,
Sorrir para estranhos,
Recear e cultivar mínimos freios -onde não se poderia frear-,
Sonhar com mais um pôr-de-sol satisfatório.

Dormir; comer; foder; chorar.

Porque gargalhar da própria tragédia é fundamental.

terça-feira, 9 de março de 2010

Relato de sobrevivência:




Eu parto, sempre parto...
Partindo -ou não- meu coração.
Há mais emoção na última dança,
é sempre assim.
Mas, por algum motivo,
guardo
caixinhas, papéis,
pedaços de ferro retorcido e
desenhos de geladeira. Eles ficam lá,
todos atestados da suposta levianidade feminina.

Meus sofridos amantes,
no entanto,
não guardaram
caixinhas, papéis,
pedaços de ferro retorcido e
desenhos de geladeira.

segunda-feira, 8 de março de 2010





Ninguém é muito certo -concordamos eu e o paranaense.
Diga 'alô' ao monstro côr-de-rosa.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Meu bom amante.

Meu amor usava perfume de limão e se esforçava para ser um bom amante. Eu o amei e o odiei da cabeça aos pés; e eu traí, menti, chorei e esmurrei pelo meu bom amante. Mas eu também traí, menti, esmurrei e fiz meu bom amante chorar. Meu bom amante não trai; mas mente toda vez que insiste nessa merda toda, esmurra meu coração e me faz chorar. Eu sempre odiei limão.

Eu vou pular em seu túmulo até o concreto quebrar
e pegar seus restos e levar para casa.
Porque eu te amo mesmo você sendo podre,
eu te amo mesmo com os vermes comendo seu cérebro.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dá vontade de morrer
quando você não quer lembrar e
pensa em viver, mas
dá vontade de morrer também,
quando eu sei que você pensa - porque eu também
penso-, e ai, porra,
eu sei que você pensa






na gente.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ânsia.

Nunca mais vomitei. Nunca mais fiz um monte de coisas, porque faço um monte de coisas. Quisera eu poder vomitar como antigamente, essa gosma ácida me corrói. Continuamos em algum lugar, em eterna translação, mas somos escarros de antigamente. Você era meu Buddy Holly e nem sabia o que isso significava. Hoje você é um espelho quebrado e colado como obra de arte; estão te apreciando e logo te compram por um preço abusivo, mas você é obra minha. Você é o pássaro migratório, isso não importaria se eu fosse um pássaro também. Queria que você saísse no vômito, grudado num pedaço de feijão e ressentimento. Eu te amo; não voe mais, por favor.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Chego,
acordo a guria
e
fico sem graça. Conversamos
sobre
nossas tentativas fracassadas de
possíveis relacionamentos, o
medo
de perder a sanidade
e
planos de viagens futuras.
Ela me diz que parou de beber,
eu finjo que acredito.


Umas horas depois ele
chega, dessa vez sem maquiagem.
Reclamou do calor, abriu a geladeira,
pegou água e
ficou
o tempo inteiro em pé.
Concordamos em várias
coisas sexuais.
Rimos, rimos,
rimos, com
as
particularidades - não mais tão particulares-
de terceiros.
Ele me diz que parou de se drogar,
eu finjo que acredito.


Caio no choro, eles
me acalmam.
Sinto aquela
segurança impossível
quando
estou com eles.


Eu
digo que está tudo bem,
eles fingem que acreditam.




...daí
está tudo bem.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Tec, tec, tec, tec.
Sem potes no final do arco-íris.
Martírio: há vagas. Você já
Percebeu como tudo é
Morbidamente engraçado?
Ok, Talvez você não consiga rir
Sozinho; mas isso é só um palpite.
Muitas pessoas riem no momento e
Elas também riem. Quando eu tinha treze,
Eu ria das coisas que não entendia
também. Ainda não entendo muitas coisas, tipo
eu e você.

A maior das anedotas, a que eu cansei de dizer, fica
Subentendida.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Você
Se
Horroriza
Com meus
Relacionamentos sérios e
Isentos de amor. Você cultiva sua tristeza.
Você
Come garotinhas que podem ou não apaixonar-se
E, no, final, você também finge se importar com
Elas. Você
É tão magro que poderia passar pelas grades da sua cela,
Mas você prefere, simplesmente,
Ficar aí.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Acho que ele -o coração- ouviu.

Meu romance pós-moderno.

Mais baixo,
mais bêbado,
mais inteligente,
meio preconceituoso.
Menos doentio.

Sinto algo
diferente
e
até agora não consigo
encontrar
medidor.
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