sábado, 19 de junho de 2010

Afastou-se, até que caiu.
O poço era muito fundo.'Não pode morrer quem não tem vida', pensou. Então, ia afundando mais e mais. A água tinha gosto de álcool e remédios - espere, era mesmo água? Aquilo tudo ia anestesiando e ela pensava então que era bom estar se afogando.
As paredes eram cobertas por poemas de amor escritos com limo. Tudo ficou frio. Havia música e gosto de saliva com sangue. Depois, veio o silêncio e ela chegou a pensar que perdera a audição.
Chegando ao fundo, avistou-o. Subiu à superfície.

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