Ela fumava na janela do quarto e olhava de rabo de olho
enquanto olhavam
seu
rabo.
Depois ficavam deitados
apenas conversando
enquanto ele contava coisa ou outra. Ela gostava de escutar.
Mas antes os dentes deveriam ser muito bem escovados
porque
havia nojo de cigarros, da parte dele.
Então
ela parou de fumar, para poder ouvir melhor.
Engrandeceu-se o pequeno homem, contando de sua façanha homérica.
E contará sempre que o vier à
cabeça, porque é isso que os homens orgulhosos fazem e é isso que as garotas que
amam
fazem.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
É mais de meia noite e dormimos o bastante e
brigamos o bastante mas
parecemos não nos importar
porque
é o que acontece nas nossas discussões propícias ao fim.
Como se isso fosse
inadiável.
Gostaria de dizer que não estabelecemos um prazo de perecibilidade
e que
não sei, talvez eu não devesse ter falado coisa ou outra
mas falei.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
O ar da cidade louca, a gente louca da cidade louca a rotina casa/trabalho/estudo têm uma parcela de culpa em todos os devaneios de uma garota moderna que não rói as unhas e não tem sido sapatão ultimamente, mas queixa-se da sobra de esmaltes. Ela é confusa: Hora usa moletom e sapatilha, hora critica donzelas mal vestidas. A garota moderna também é piegas, apesar de tudo; não limpa a casa, mas faz a janta. Diz-se inteligente e é inteligente, mesmo não entendendo contas de matemática. Ela é morena, loira, ruiva e travesti. Mas o maior segredo de todos é que a garota moderna é, na verdade, démodé.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Este instante me imaginei sendo vespa e mal sei o porquê. Queria ser uma vespa. E tudo e nada. E amarelo e azul. E gafanhotos. E a escala assimétrica. E a música assimétrica. Queria ser foto de granulação -queria conter prata. Queria ser eu e você ao mesmo tempo. Queria ser Lolita e H.H. Queria um barco, mas amo asfalto. Queria branco, mas é amarelo. Eu sou um pranto, eu sou um prato.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Uma e vinte e sete, para mim, são quase duas. Até tomar banho e limpar dois alfinetes são duas horas e eu não quero dormir porque este é o momento mágico em que olho para ele e nossos teclados de computador complementam um ao outro e isto soa como amor. Esta é a hora em que o olho, de frente para a televisão, e ele está falando mal do Caetano e, puta merda, como consegue ficar lindo usando moletom verde e chinelo laranja! O final da noite é o começo do encanto. Nenhum ruído, além dos teclados de computador e a televisão. Isto é o suficiente por hoje e agora são uma e trinta e sete.
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