Dois mil e dez, meio pro final do ano.
As mãos apertadas. Nunca gostei de andar de mãos dadas, veio então
a desculpa de dar o dedo mínimo como sendo algo mais delicado.
Quando passei a gostar de dar as mãos, estas já estavam vazias. Tão
vazio quanto o espaço entre o sofá de dois lugares e o teu
computador. Tão vazias quanto as suas investidas em outras pessoas
ao mesmo tempo em que me mantêm em um lugar parecido com o tal sofá,
com a alcunha de algum tipo de relacionamento que teimo dizer, com um
sorriso no rosto: namoro.
Onde já se viu, pensei estes dias, um
relacionamento consigo mesma, onde você mesma não se ama. Mil e
noventa e cinco topadas ininterruptas na parede não me parece bom.

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